Mochileiros ao Peru
Dia 1

30/05/2010 - Domingo

Embarcamos no terminal rodoviário de Rio Branco (Acre) às 10 horas da manhã (hora local, que é uma hora a menos em relação à hora de Brasília). A passagem só era vendida até Puerto Maldonado; lá teríamos que comprar a passagem até Cuzco. A ida custou R$70 para cada e, como compramos tudo junto na rodoviária de Rio Branco, a passagem de volta teve desconto e saiu por R$60. O ônibus, da companhia Moviltours, é excelente, tem semi-leito, tv, ar-condicionado e banheiro.

A estrada até Brasiléia, cidade que faz fronteira com a Bolívia, não foi muito diferente do que já estamos acostumados a ver no Pará: uma estrada bem reta, margeada por fazendas e floresta amazônica. Chegamos lá quase duas horas da tarde. Paramos para o almoço em uma churrascaria bem simples e um pouco cara: R$30 por quilo no self-service ou o mesmo valor por um rodízio.

Pouco mais de uma hora depois chegamos à fronteira com o Peru. Lá fica a alfândega brasileira. A parada é obrigatória para que todos apresentem um documento - RG ou passaporte, no caso dos brasileiros -, recebem o carimbo de saída do Brasil e um papel que deve ser apresentado na volta ao país. Um pouco mais à frente tivemos que descer do ônibus novamente, desta vez na alfândega peruana, bem mais modesta que a brasileira. Vimos os primeiros motocars, meio de transporte muito comum por lá, um tipo de híbrido entre motocicleta e carro. Logo que descemos muitas peruanas e uma brasileira vieram nos oferecer soles. Temendo estarem praticando uma cotação abusiva, troquei só R$100 por 145 soles por segurança.

Chegamos à margem do rio Madre de Dios por volta de 8 da noite no horário local (duas horas a menos em relação a Brasília). Lá tínhamos que pegar um barco para fazermos a travessia e chegarmos a Puerto Maldonado. O transporte custou S./ 1 e a sensação foi de estar entrando de forma ilegal nos Estados Unidos pela fronteira com o México.

Atravessando o Madre de Dios

Em Puerto Maldonado a primeira dificuldade foi para conseguir taxi até a loja da companhia. Conseguimos primeiro um motocar, que levaria até 3 pessoas e toda a bagagem. Eu e o Abílio ficamos para trás, na tentativa de conseguirmos mototaxis. O cobrador do ônibus que viemos se dispõs a ajudar e, quando consegui o meu mototaxi, ele explicou em espanhol para o motociclista onde ele deveria me deixar. Eu que não entendi nada da conversa confiei e fiz o caminho tranquilo, observando a cidade e notando que não existem carros no lugar; apenas vans, motos e motocars. Chegamos então a onde ele me deixaria: num terminal rodoviário. O preço combinado no começo da corrida era de S./1,50, mas me foi cobrado S./5. Pedi a ele que esperasse que eu buscaria mais dinheiro na minha bagagem, que eu esperava estar com meus amigos dentro do terminal. Quando entrei não avistei absolutamente ninguém, estava tudo vazio do terminal. Nunca falei espanhol tão fluente em toda a minha vida. Só uns 15 minutos depois entendi que eu estava no lugar errado e pedi ao mototaxista que me levasse à loja da Moviltours, na cidade. Quando cheguei lá os amigos queriam me matar e já estavam ensaiando um jeito de contar pra minha família que eu tinha resolvido ficar no Peru. Tudo explicado, compramos as passagens para Cuzco por S./40 e voltamos ao tal terminal por mais S./5.

O ônibus era bem diferente do de Rio Branco - Puerto Maldonado. As poltronas eram apertadas, não havia ar-condicionado e os peruanos tinham resolvido, sabe Deus por que, fechar todas as janelas. Ficamos completamente abafados e espalhados. Conversei um pouco com o senhor da poltrona ao lado, que entendia mais de futebol brasileiro que eu e que tinha músicas de tecnobrega bem paraense no celular. Fiquei surpreso com o quanto o Brasil é presente no Peru. O motorista colocou um DVD com 5 filmes do Van Damme. Suspeitei não conseguir entender o que se passaria nos filmes, mas foi tranquilo; filmes do Van Damme não são difíceis de entender nem se estiverem em mandarim. Foi um martírio.

Acordamos no meio da noite para descobrir que o calor abafado tinha sido substituido por um frio de rachar. O Neemias foi surpreendido com um banho de água gelada vindo da janela no teto do ônibus. Isso também me rendeu uma mochila molhada. Depois de me agasalhar e conversar mais um pouco com meu amigo mecânico, consegui dormir.